Antidepressivo, Serotonina e o Apóstolo Paulo!






Qual é o sonho de sua vida? Há declarações do Apóstolo Paulo que são tão opostas a filosofia de vida de nossa geração, e infelizmente do “evangelho” pregado em nossos dias, que muitas vezes nós temos que ler de novo e de novo... e não entendemos como chegamos aonde estamos.


A declaração do apóstolo Paulo em Atos 20:24 é tão incrivelmente contrário à ética que estamos acostumados que ele parece estar delirando: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa...” - Atos 20:24


"Mas eu não tenho a minha vida de qualquer valor, nem preciosa para mim” [PARE!]  Será isto mesmo que ele quer dizer?


Vamos tentar mais uma vez e usar uma tradução diferente:


"Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo... " (NVI)


Tudo bem, vamos tentar uma paráfrase. Certamente vai ajudar a nos ajudar a suavizar isso um pouco.


"Mas, sinceramente, eu não considero a minha vida preciosa para mim ..." (JB Phillips)

Chatice, está duro de deturpar o que Paulo está afirmando.

Hoje logo diriam que Paulo estava precisando de algum antidepressivo, que sua serotonina devia estar baixa...


Vamos encarar a realidade e humildemente reconhecer e nos humilhar diante de Deus pela distância que separa essa geração desse claro ensino bíblico? “Eu não conto a minha vida de qualquer valor, nem preciosa para mim mesmo." Em outras palavras, ele havia encontrado um motivo para viver, que foi tão profundamente satisfatório que era mais valioso do que a própria vida.


Em sua normalidade, cristãos de nossos dias não falam assim. Os pregadores e mestres “relevantes” atuais pregam e ensinam exatamente o contrário disso. Antes de fazer essa declaração, Paulo afirma saber algo que muitos hoje diriam ser uma “confissão negativa”, falta de fé, ou pelo menos algo potente para gerar grande depressão: “senão que, em todas as cidades, o Espírito Santo me avisa que prisões e sofrimentos me esperam.” - Atos 20:23 – Me esperam PRISÕES E SOFRIMENTOS! De cidade em cidade! (Diriam hoje que ele não sabia contextualizar e tinha uma mensagem irrelevante para sua geração).


Mas Paulo encontrou um motivo para viver tão satisfatório que a vida baseada em sexo, todo o prestígio, toda a riqueza, todo respeito da sociedade... eram coisas completamente ofuscadas pelo motivo totalmente satisfatório que ele havia encontrado. E como é óbvio, se a atração da causa supera a atração da própria vida, então ela supera todas as coisas que a vida sustenta e que sustentam a vida. Ele tem a vontade, o gozo e a alegria de continuar com a missão e propósito de sua vida. Ele não está deprimido. Na verdade, sua visão de si mesmo é um retrato da saúde da graça em forma mental.


Vamos olhar para o versículo inteiro:

“Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.” - Atos 20:24


Numa época de culto a auto-estima, Paulo não deriva o seu valor, o valor da vida... a partir de dentro de si mesmo ou se preocupa com técnicas para aumentar a sua auto-estima, seu foco é completamente diferente. O Criador de Paulo havia lhe dado um motivo para viver que o libertou para um tipo de “total abandono”, aos olhos do mundo auto-centralizado, em uma completa satisfação em proclamar a glória de Deus.


Paulo está sobrecarregado com a graça de Deus em sua vida, e vocação e missão que Deus lhe deu para proclamar esta graça a cada cidade que ele vai, apanhando e sofrendo de cidade em cidade.


O versículo diz que ele valorizava uma coisa mais que a vida: " se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou" - Ele se vê como um atleta em uma corrida. Seu treinador, treinador, público, e prêmio é Jesus Cristo. Será que podemos afirmar o mesmo? Para Paulo só uma coisa importa: terminar o curso da maneira como ele foi comissionado.


Não é que Paulo esteja com a mente turva por alguma mentalidade resultante de algum ascetismo cruel e desejo de apanhar a cada dois dias, mas que a sua vida tem sido dominada por a boa notícia da graça de Deus para os pecadores que não querem ouvi-lo,  e aos quais ele não adaptará a mensagem, pois o foco de sua vida e razão de vivê-la é a glória de Deus que só pode ser manifestada pela pregação da verdade. Ele quer compartilhar esta mensagem porque sua própria identidade foi remodelada por ela. Paulo chama a si mesmo de o maior dos pecadores (1 Timóteo. 1:15).


Paulo foi muito perdoado. A graça de Deus foi extravagante para ele, e ele conhecia essa grande graça de Deus pode transformar, não importa quão grande é o pecador, até o ponto culminante do propósito soberano de Deus, em homens que se tornarão a imagem de Cristo. E ele sabia disso porque ele diz ter sido o principal dos pecadores.


Sua identidade era formada pelo evangelho e o levou a olhar para si mesmo e viver a vida com um ethos diferente e sonhar um tipo diferente de sonho do que a cultura a nossa volta e não um evangelho que é um espelho dela, como é comum hoje.


E esse sonho de Paulo não o fez próspero e bem sucedido, pelo menos da maneira que a nossa cultura define (Nem grande parte do “evangelho” pregado hoje). A definição de Paulo de prosperidade e sucesso é uma vida vivida para a glória de Deus na graça de Deus.


A mensagem do evangelho não lhe promete sucesso temporal ou prosperidade. Ele promete algo maior, sendo dominada pela glória de Deus. Ele está dizendo: A emoção da minha vida é o poder da Graça que exalta Deus, algo que vale todo o risco. O foco é a honra de Cristo, o que vale todo sofrimento. O que me faz ousado é a medida do meu amor por Ele.


Não compre as mentiras psicologizadas da auto-estima,  mas viva pela teologia que faz de Deus o centro da vida. Não importa o impacto que isso possa aparentar ter ou não na sociedade. Ir de cidade em cidade apanhando parecia não fazer nenhuma diferença ou ser relevante para a cultura que Paulo vivia. Mas independente do impacto social, econômico, físico... agora, um dia “a terra se encherá do conhecimento da glória de Deus como as águas cobrem o mar” ( Hc 2.14).


A graça pode fazer você dizer: “não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo...” - Atos 20:24 – Sem que isso seja autodepreciativo... mas porque Deus, em Cristo, é a coisa mais preciosa e que se tornou a base do caráter do homem em Cristo. Ele e a sua comissão são coisas mais valiosas que a vida. Ele que proclamar e viver esse valor final e infinito de Deus... e não conforto temporal, conveniência, “felicidade”...

É tempo de sonharmos um sonho diferente da cultura a nossa volta ou não temos NADA para realmente proclamar a ela. Vamos nos unir a Paulo, Pedro, Tiago... os Mártires, os Reformadores, os Puritanos...



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